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Cannes Lions

17 A 24 DE JUNHO DE 2017 | CANNES - FRANÇA


23 de junho de 2017 - 15h40

Conforme esperado este foi um Festival francamente feminista. Muitas oradoras. Muitas campanhas tematizando o assunto. Todo mundo falou e nada é mais eloquente que o tamanho da repercussão de “Fearless Girl”, uma campanha com uma ideia simples, meticulosa e brilhantemente executada.
Em Cannes , não sei se é o vinho, a Cote D’azur ou esse monte de coisas incríveis que a gente vê o dia todo, mas a gente fica tomado pela sensação de que campanhas mudam o mundo. Nos acham frívolos? Vocês vão ver!

O mais incrível é que às vezes até mudam mesmo.

A nação do refugiados com os atletas olímpicos no Rio de Janeiro pode até não mudar o mundo mas impactou bilhões de pessoas e tornou visíveis pessoas que fazem parte de um drama tão grande que a vista deixa de alcançar. Acho que mudou um pedacinho, bem pequenininho, lá dentro da cabeça das pessoas. E isso é incrível. Espero profundamente no meu coraçãozinho de menino que a ação da Colômbia, transformando orelhões em caixas de depósito para os pobres seja de verdade. É uma ideia linda. Se existir. É claro que existe, vamos salvar o mundo. O que é ótimo por que a quantidade de peças brasileiras que vão acabar com a corrupção é grande. E a quantidade de empresas querendo salvar o mundo é uma enormidade.

Cinismo à parte, é um avanço enorme que as empresas invistam uma quantidade cada vez maior dos seus budgets abraçando causas cidadãs, mostrando que na medida do possível pessoas físicas também podem ser boas pessoas. Como diz a máxima da comunicação corporativa, as boas intenções só progridem quando ideias e interesses coincidem. Mas claramente é vital para empresas que queiram fazer parte da conversa nas redes sociais e estabelecer uma comunicação relevante, parar de falar do próprio umbigo e começar a falar de uma visão de mundo.

É difícil para as marcas fazerem isso com legitimidade. Principalmente, porque exige escolhas complexas. Quando o Burger King faz uma campanha como a do Proud Wooper (claro que essa ideia não é deste ano, mas é um ótimo exemplo) abraçando o público LGBT, ela está sendo coerente com seu posicionamento de que todos são bem-vindos, está provando para os jovens e os liberais que acreditam na liberdade de gênero que é uma empresa com coragem e princípios — mas com certeza aguentou uma gritaria enorme dos seus franqueados no Bible Belt americano que acham que gays são degenerados. A empresa fez uma escolha “humana” — eu sou assim, espero que você goste de mim. Mas a coragem compensa.

É melhor para o futuro de uma marca ser amada por sessenta por cento das pessoas do que ser mais uma para todo mundo. As empresas mais avançadas e mais atrevidas estão mostrando o caminho. It takes balls to follow. Propaganda é sobre diferenciação, não sobre me too. Ninguém nunca ficou famoso por ser discreto.

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