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Cannes Lions

17 A 24 DE JUNHO DE 2017 | CANNES - FRANÇA


19 de junho de 2017 - 13h56

Quase todo mundo que trabalhou comigo sabe que, muito antes de eu criar campanhas, eu crio músicas. Desde os 5 anos de idade, mais precisamente.

O que eu não sabia é que, em algum momento, isso se juntaria tão fortemente com a minha profissão diária, a propaganda.

Dois casos muito recentes foram uma campanha feita para o Grupo CCR com o cantor Daniel e o seu pai, Seu Camilo, na qual tive a oportunidade de compor uma música falando da vida na estrada. Essa canção fez total sentido para os dois, porque o pai do cantor sempre foi caminhoneiro e a intensidade com que ambos se envolveram no projeto fez toda a diferença pro filme final.

Já, o outro caso foi a música-chiclete do UOL para a Minizinha, gravada pelo Michel Teló. Ela pegou tanto, que virou a campanha de varejo mais lembrada da marca. É só digitar um trecho da letra no Twitter pra ver o que acontece.

Essas duas campanhas nasceram de um mesmo insight: a música.

Aí você está se perguntando: o que raio isso tem a ver com Cannes?

Bom, é porque foi aqui que tive a oportunidade de assistir à entrevista do vocalista do Duran-Duran, Simon Le-Bon e do Nick Wood, ambos sócios-fundadores da Syn Music. Estes senhores posicionaram o seu negócio como sendo uma “Music Agency” e contaram um pouco sobre como tudo funciona.

As palavras do Nick soaram, literalmente, como música para os meus ouvidos. Ele reforçou muito que o elemento sonoro de uma campanha, seja uma trilha ou uma música completa, deve ser concebido desde o momento zero da criação de um trabalho.

A música tem esse poder incrível de amalgamar imagem e mensagem e portanto, não pode ser deixada por último no meio de um processo criativo.

Ela é tão protagonista quanto o plano e contra-plano do diretor de filme, da referência gringa da produtora de 3D. Sua identidade é um elemento importantíssimo na construção, não só da linguagem de uma campanha, mas de todo o branding de uma marca.

A coerência sonora é algo que deve ser considerado e evoluído a cada peça, assim como fazemos como uma paleta de cores ou um tom de voz.

E indo mais além, a música pode ser de fato o grande protagonista de uma história. O exemplo dado por eles foi a canção composta e produzida para a Ariana Grande e que foi lançada dentro do game Final Fantasy.

Ouvir dois artistas de peso falando o termo “Music Agency” e reforçando a importância da música na propaganda, me fez viajar por todas as reuniões de pré-produção que eu fiz na vida em que a trilha sempre ficou por último.

E por mais que eu seja desse universo e que vez ou outra consiga colocar a música como plano central de uma campanha, vejo que ainda há muito para se evoluir no nosso modus operandi. Ainda mais sabendo que isso é tão fácil de mudar, visto que tem tanto criativo que toca algum instrumento ou que canta.

Portanto, pensemos na música desde o momento zero. Assim como a gente pensa no visual do filme, no layout e no texto.

Porque criar uma boa peça pra uma campanha é como criar um arranjo: cada instrumento deve fazer a sua parte. Afinal, se tirar a bateria, a gente perde o ritmo. Se tirar o baixo, perde o peso. Se tirar a guitarra, perde o brilho.

E se tirar a música, perde a graça 😉

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