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Cannes Lions

17 A 24 DE JUNHO DE 2017 | CANNES - FRANÇA

Análise Lions Health: Empatia, tecnologia. Check, check

Mauro Arruda, diretor-geral e de criação da Havas Life, comenta para o Meio & Mensagem o resultado do Lions Health 2017


18 de junho de 2017 - 14h39

Mauro Arruda

Por Mauro Arruda, diretor-geral e de criação da Havas Life

A empatia tinha um encontro marcado com a tecnologia no Lions Health 2017. E elas se entenderam muito bem. Colocar-se no lugar do outro, descobrir suas necessidades não-atendidas e projetar uma solução engenhosa, mas não necessariamente complexa – se existe uma fórmula para se destacar no Lions Health, a deste ano (e dos próximos) parece ser essa.

Começando por Health & Wellness, e por um case que já chegou a Cannes consagrado: Meet Graham, o instigante projeto para a comissão de acidentes de trânsito de Victoria, Austrália, foi o Grand Prix da categoria. Não que isso tenha sido surpresa para alguém. Resultado do trabalho conjunto de um cirurgião traumatologista, um engenheiro de tráfego e uma artista plástica, Graham já chegou a Cannes como favorito, e sua carreira de prêmios está apenas começando. Caso você ainda não o tenha conhecido, Graham é um humanoide especialmente projetado para sobreviver a um acidente de trânsito. Meet Graham, porque vale a experiência.

De um lado mais singelo, mas não menos poderoso, temos o Ouro para Down Syndrome Answers. Assim que recebem a notícia de que seus filhos terão síndrome de Down, mães e pais imediatamente levam suas dúvidas e angústias ao Google. O projeto captura e categoriza essas buscas, e responde a elas com a ajuda de especialistas – ninguém menos que crianças portadoras da síndrome, que esclarecem as questões dos futuros pais em adoráveis vídeos no YouTube.

Quer mais um exemplo de empatia somada à tecnologia, mas desta vez por um ângulo de execução absurdamente complexo? Bem-vindo a Potatoes on Mars. Com a ajuda da NASA, pesquisadores tiveram sucesso em cultivar batatas num satélite que replica as condições climáticas de Marte, usando terras áridas do deserto peruano. Duas conclusões. A primeira: toma essa, Matt Damon, a gente conseguiu. A segunda, e mais importante: se podemos cultivar batatas em Marte, acabar com a fome no nosso planeta não pode ser tão difícil.

Agora chegamos à categoria Pharma, que tem crescido constantemente em número de inscrições e excelência criativa, mas parece viver uma certa crise de identidade típica da adolescência que ela atravessa. A maior parte dos cases premiados é unbranded – o que levanta a discussão sobre como reconhecer a criatividade dos projetos branded, o que em farma significa enfrentar barreiras regulatórias por todos os lados.

Um destaque dos Pharma Lions foi VR Vaccine, da Ogilvy brasileira, que levou Ouro e Prata ao introduzir óculos de realidade virtual e uma dose de magia para facilitar a aplicação de vacinas em crianças.

Outro leão de Ouro em Pharma foi para um projeto “secreto” sobre a prevenção de tráfico humano, a partir da aplicação de uma tecnologia médica já existente – detalhes do projeto não podem ser divulgados, pois isso colocaria em risco a sua própria existência. A ideia foi da Area 23, de Nova Iorque, que foi a agência do ano no Lions Health.

E o grande vencedor Pharma do ano foi Immunity Charm, também sobre vacinação, desta vez no Afeganistão. O projeto explorou um elemento cultural típico da cultura afegã – um bracelete usado por todos os bebês, para afastar as forças do mal – e o transformou numa forma de controle do esquema de vacinação de cada criança, ao relacionar cada conta colorida do bracelete a uma aplicação ou dose de reforço das diferentes vacinas. Além de vários Ouros, Immunity Charm foi recebeu o Grand Prix for Good em Pharma – embora neste ano o júri tenha optado por não entregar o Grand Prix regular da categoria, refletindo um pouquinho da crise de identidade de que falamos.

Conversando com os jurados, a gente percebe que existe no ar uma certa euforia com as oportunidades que se abrem no território de saúde e bem-estar. Se existe um sentimento capaz de mudar o mundo, é a empatia. E as novas tecnologias oferecem possibilidades inéditas para materializar essa nova realidade. Empatia, tecnologia. Check, check.

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