Absorver tudo que acontece no Cannes Lions é como tentar beber água de um hidrante espirrando um jato forte na sua cara. Isso, somado à agenda, trajetória e experiência pessoal de cada um por lá, torna qualquer balanço final do festival muito interessante. Aqui vão alguns pontos que valem a pena serem destacados.

Minimalismo criativo. A simplicidade é tudo. Na era pós-digital, a tecnologia já está contida e tudo que é complexo não precisa ganhar destaque ou ficar aparente. Sendo assim, o foco volta para a simplicidade da solução e ao output real que a ação ou campanha produz. #OptOutside (campanha da rede varejista REI, assinada pela Edelman, que levou 9 Leões), The Next Rembrandt e Justino são alguns bons exemplos.

Lions Innovation is coming. Não resta dúvida de que esse evento paralelo aponta para o que será muito em breve o próprio Cannes Lions. Festivais “concorrentes”, como o SXSW, vêm ganhando destaque, e todos esforços são direcionados para que o epicentro da criatividade permaneça nas praias do sul da França. O inédito Lions Entertainment e o novo mix de premiações evidenciam ainda mais essa transformação.

O humor está em cheque. Mas quando bem usado ainda é arma infalível. Vencedor do Gran Prix for Good, ManBoobs mostra de forma original que mamilos ainda são polêmicos. Da mesma forma, a criação do primeiro grupo de pop music formado por seis transgêneros na Índia fez com que a Unilever levasse o Gran Prix numa categoria já recheada de cases pesados e emocionantes com é o caso do Glass Lions. Exemplos lamentáveis como o polêmico anúncio para Aspirina e até a tentativa de ironizar as campanhas machistas, caso de Brewtroleum, mostram que certas piadas felizmente já perderam a validade.

No more blábláblá. Contar histórias por si só não é mais suficiente. Presenciamos um real shift do storytelling para o storydoing. Marcas precisam tomar atitudes que realmente impactam a sociedade, mudam as regras do jogo ou apontam futuros possíveis. The Swedish Number, House of Cards FU2016, Google DeepMind AlphaGo e de novo, #OptOutside, ilustram muito bem esse movimento.

Tecnologia em todos os sentidos. Inegável que o Festival esse ano foi uma espécie de “VRland” (algo como “terra da realidade virtual”) para seu público. Inúmeras soluções exploram a Realidade Virtual que parece estar revolucionando não só a indústria do entretenimento, mas várias outras áreas da nossa vida. Da mesma forma que o VR coloca o sentido da visão em outro patamar, outras inovações estão expandindo em conjunto todo potencial humano. Não resta dúvida de que, em breve, estaremos cada vez mais inseridos em hiper-realidades e mundos paralelos.

Com a velocidade que tudo acontece e baixada a poeira do Festival, é fácil confessar que já dá uma pequena vontade de estar em 2017, não só para verificar o que realmente vai mudar, mas sim para aliviar a curiosidade de tentar entender para onde caminha a humanidade.