Em meu último post escrevi sobre a “atitude inovadora e tomada de risco” e o quanto o foco em inovação tem sido determinante para proporcionar ótimos resultados a algumas agências mundo afora, como a já citada Hakuhodo, por exemplo.

Neste meu terceiro e último post, sempre falando sobre novos modelos de gestão de agências, vou abordar outro importante assunto, o mais importante de todos… Gente.

Nos dias de andanças em Cannes (e como se anda), pude conversar com inúmeras pessoas e foi recorrente a constatação de que nossa profissão já foi bem mais atraente, sexy e interessante do que se mostra hoje.

Pude perceber, principalmente, a pressão enorme que todos sentem e, até aí, nenhuma novidade, aliás, sofrer pressão em um momento economicamente difícil como este, é privilégio de quem ainda tem um emprego. O problema não está aí, mas na falta de brilho no olhar, aquele projeto ou campanha phoda que você quer contar para todo mundo, sabe?! É, isso estava meio em falta este ano em Cannes.

Nossa profissão é, talvez, a mais sensível a bons desafios ou à falta deles e o dia a dia apenas em tons de cinza corrompe profundamente a motivação de nossas equipes.

No nosso negócio, o tal salário emocional é tão ou mais importante do que a remuneração financeira e saciar emocionalmente o bolso de nossos colaboradores está absolutamente atrelado a fazer parte de histórias incríveis, a trabalhar em um ambiente inspirador, sob uma liderança também inspiradora, e tendo ao seu lado profissionais com repertórios diferentes e, ao mesmo tempo, complementares ao seus.

Agências conduzidas como grandes indústrias, produzindo comunicação na esteira de montagem, perderão sua melhor matéria prima, gente linda, elegante e sincera, desta geração de millennials que não topam esse tipo de relação em suas vidas.

Os mais inovadores modelos de negócio que vi em Cannes valorizam as pessoas mais do que o próprio ofício, pois a inovação tem profunda relação com a felicidade e o sentimento de querer mais dessas pessoas.

Em nossos roteiros atuais, os tons de cinza não têm graça e estarão fadados a fracassos de bilheteria em campanhas mais do mesmo, sem vibração e cores.

Cannes 2016 cannesmm Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions Marcelo Lenhard